Dada a escala e natureza da economia cabo-verdiana, pequena e profundamente aberta ao exterior, dificilmente poderia ficar imune a estes acontecimentos, tanto mais que alguns dos seus mais importantes parceiros estão a ultrapassar uma fase de turbulência, com repercussões nas respectivas relações comerciais. Neste contexto, o comportamento da economia foi positivo, impulsionado pela execução do plano de obras públicas e pela reactivação de alguns sectores, principalmente do turismo.
Contudo, ainda são visíveis para o futuro factores de risco e incerteza, relacionados com a confirmação da recuperação do turismo, a evolução das remessas de emigrantes, a entrada de capitais oriundos do estrangeiro, privados ou concessionais, o impacto da pressão sobre a subida do preço dos produtos alimentares e combustíveis…. Não obstante, esperamos que os diversos agentes económicos tenham capacidade e ambição para transformar dificuldades em oportunidades, mantendo Cabo Verde na senda do crescimento e desenvolvimento económico.
Períodos conturbados são, por regra, bons momentos de reflexão interna nas instituições.
Assim foi no BCA em 2010. Procedeu-se ao realinhamento da orientação estratégica do Banco, privilegiando a relação com o Cliente, como principal enfoque da actividade, e ajustando a nossa estrutura orgânica em conformidade com os objectivos estabelecidos de satisfazer mais e melhor as expectativas dos nossos clientes, através de uma maior qualificação dos serviços prestados, consubstanciada na melhoria da eficiência de processos e procedimentos e na capacidade de incorporar inovação aos produtos e modernidade à forma de como nos relacionamos e comunicamos.
Reconhecendo a prioridade atribuída à actividade Comercial, não se negligenciou áreas igualmente fundamentais para a boa governação do Banco, desenvolvendo projectos, delineando acções de formação especificas e promovendo a aquisição de ferramentas e veículos tidos por necessários ao reforço da capacidade de resposta e das competências disponíveis em domínios tão diversificados quanto controlo de riscos (operacional, comercial, financeiro, taxa de juro, liquidez … ), os canais alternativos, o Compliance ou o Workflow do Crédito á Habitação, entre outros.
Num cenário de conjuntura desfavorável, o BCA regista em 2010 um Resultado Líquido de 701.268 contos, correspondente a um acréscimo próximo dos 18%, face ao desempenho no ano de 2009.
Sem pretender fazer qualquer juízo em causa própria, entendemos que o resultado alcançado é, no mínimo, muito positivo.
Mantendo os critérios de exigência, rigor e transparência das Contas, aliás conforme fiscalização e controlo dos nossos auditores, incorporou-se todos os custos, com especial ênfase os inerentes ao Fundo de Pensões e valorizou-se os activos pelo justo valor, contabilizando imparidades e uma reserva de reavaliação negativa por desvalorização da carteira de Títulos Consolidados de Mobilização Financeira (TCMF´s).
O resultado apurado e a operação de obrigações subordinadas realizada em finais do exercício, permitem uma distribuição de dividendos, eventualmente mais ajustada às expectativas dos accionistas, sem fragilizar a estrutura financeira do BCA, conforme se depreende pela evidência de um Rácio de Solvabilidade acima dos 12%, ou seja com confortável margem de segurança face ao legalmente exigido.
Na actividade corrente importa salientar o crescimento do Crédito Global, ligeiramente superior a 5%, numa estratégia de acompanhamento permanente e sistemático da gestão da carteira de crédito, privilegiando, na captação de novos clientes e operações, a vertente qualitativa em detrimento da pura conquista de quota de mercado e procurando sempre encontrar o ponto de equilíbrio entre a rendibilidade e o risco.
No que concerne à componente dos Recursos, sempre mantendo o sentido da razoabilidade das taxas de juro praticadas, o Banco registou um crescimento muito perto dos 5%, invertendo o ciclo de quebra dos Depósitos à Ordem e mantendo a sua quota de mercado no limiar dos 50%, concretizando assim plenamente os seus objectivos.
Reitera-se o profundo significado que tem para o BCA a relação que estabelece com a Diáspora cabo-verdiana, que cre-se com vantagens e interesses recíprocos, sendo certo que tudo faremos para disponibilizar a nossa bondade e vontade no reforço destas relações, profundamente consolidadas nos princípios da segurança e confiança que a Marca transporta e, acredita-se que cada vez mais, na competência dos nossos colaboradores e inovação dos produtos e serviços que prestamos.
Uma saliência especial, também, para o enorme sucesso que constituiu a colocação do Empréstimo Obrigacionista, no montante de 500 mil contos. Com uma procura quase em dobro da oferta, centenas de particulares aplicando as suas pequenas poupanças e muitas das empresas de referência do mercado a subscreverem, retratam bem este momento de afirmação da Marca BCA.
Reconhecimento, ainda, pela excelente forma como a estrutura comercial respondeu ao desafio da colocação das obrigações, com total empenho, entusiasmo, motivação e competência, não deixando quaisquer dúvidas, desde o inicio, sobre o sucesso da operação.
No ano já em curso de 2011, o BCA está focalizado na execução da sua estratégia comercial e operacional, procurando manter e reforçar aquilo que são as suas grandes referências para o Mercado e compatibilizar os seus interesses específicos com a responsabilidade de líder do sistema financeiro, apoiando o crescimento sustentável da economia, num momento em que a iniciativa privada está a ser convocada para demonstrar, de forma mais premente, a sua vitalidade, capacidade empreendedora e competitiva.
No interior da nossa organização, diagnosticada a situação, valorizado o juízo da auto-critica, palavras como produtividade, competência, eficiência e eficácia, têm que ter uma correspondência prática no nosso quotidiano, com o objectivo de transformar a realidade e ousar ser, ainda e sempre, melhores.
O Conselho de Administração expressa o seu reconhecimento a todos os Accionistas, ao Banco de Cabo Verde, à Auditora Geral do Mercado de Valores Mobiliários, à Bolsa de Valores, ao Conselho Fiscal e ao Auditor Externo, pela elevada e prestigiosa contribuição no acompanhamento do desenvolvimento da nossa actividade corrente.
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Em 2011, continuaremos todos a construir o Melhor Banco de Cabo Verde, é essa a nossa ambição, é essa a nossa Missão.
Dr. A. Joaquim de Sousa/BVC
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